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Por que prever vendas, ou, como consequência, a demanda de materiais? Porque se não o fizermos, quando quisermos comprar um determinado material de nosso fornecedor, estaremos sujeitos ao seu leadtime (tempo de ressuprimento). Imaginemos que um determinado material tenha um leadtime de 4 meses, ou seja, à partir do pedido colocado, serão 4 meses até o material ser recebido. Muito provavelmente, o nosso cliente não estará disposto a esperar esse tempo todo. Talvez nem sejamos competitivos com um prazo de entrega dessa ordem (4 meses do fornecedor + tempo de manufatura da Organização + tempo de transporte ao cliente). Ora, precisamos oferecer mais do que o cliente espera de nós, precisamos gerar soluções ao cliente, precisamos ser competitivos. É aí que entra o planejamento, a previsão de demanda. Antecipamos acontecimentos, através de um ciclo de aprendizagem, procurando projetar nossa produção de acordo com uma demanda projetada em consenso pelos principais players desse processo.
Com a previsão de demanda, e consequente projeção da programação de produção, antecipamos nossas compras de material. Dessa forma, o fornecedor já vai antecipando também suas compras de matéria-prima, e se preparando para fornecer as quantidades previstas no Forecast, que é o documento que divulgará os números oficiais de previsão de demanda da área comercial.. Todo o processo exige muita disciplina, de todos. Para trabalhar dessa forma, é preciso estabelecer com o fornecedor um acordo, quais são as regras do jogo, o que chamamos de "Política de Variação de Demanda", que estipula as regras possíveis de variação no forecast contra os pedidos efetivos, e os períodos congelados, ou seja, aqueles que não poderão ser alterados e que se transformarão automaticamente em pedidos. Falaremos mais adiante sobre a política e daremos um exemplo dela.
O processo chamado Sales & Operations Planning (Planejamento de Vendas e Operações ou ainda Previsão de Vendas e Operações) é um processo cujo owner, usualmente, é a área de Planejamento de Materiais (Logística), e é o processo encarregado de alinhar o planejamento de materiais (pedidos a fornecedores e estoques), e programação de produção com a demanda previsional de vendas. O S&Op é, portanto, um processo que visa antecipar as demandas de vendas, para melhor poder atendê-las. Se bem utilizado, e se a Organização for disciplinada o suficiente, o S&OP pode ser uma excelente ferramenta para, além de melhorar o desempenho de entrega ao cliente, reduzir também os estoques. Embora o owner do processo S&OP seja a área de Logística (PCP/M), as decisões finais da reunião devem ser aprovadas pelos diretores Industrial e Comercial. Deve ocorrer normalmente em um ciclo mensal, conforme mostra a figura abaixo: Nesse processo, as áreas Industrial e Comercial se juntam para, de comum acordo, definir como a demanda será atendida. Situações podem ocorrer em que, para um determinado atendimento da demanda, a área industrial tenha que fazer um alto investimento em equipamentos, ou mesmo mão-de-obra, e não necessariamente seja adequado financeiramente para a Organização. Outras situações podem ocorrer em que não haja tempo hábil para o atendimento de uma determinada demanda, e mais uma vez, as áreas devem buscar uma solução comum. Esses são apenas alguns exemplos de situações que ocorrem numa Organização, e que precisam, portanto, de uma decisão executiva. Veja abaixo o fluxo do S&Op:
Uma discussão que surge naturalmente, quando se vive o processo S&OP, é o da acurácia do forecast de vendas, ou seja, a dificuldade inerente ao processo de fazer um forecast. Nesse aspecto, o mais importante é entender os pressupostos do forecast de vendas, e trabalhar para implementar o melhor processo possível, com o método mais robusto possível, e procurar incessantemente melhorar continuamente os reultados. Os pressupostos do forecast de vendas são:
Como dissemos no início, quando trabalhamos com forecast de vendas, precisamos adotar uma "Política de Variação de Demanda", a qual deve ser acordada entre a Organização e seus fornecedores. A vantagem de se utilizar a política é que, variações dentro dela, o fornecedor deverá estar preparado para antender, e a desvantagem é o custo eventual de estoque que o fornecedor tenha que manter para atendê-la. É claro que este é um tema absolutamente estratégico e o custo de atendimento do cliente deve ser levado em conta numa análise custo/benefício em relação aos ganhos por esse mesmo atendimento.
Além da Política de Variação de Demanda, é importante estabelecer uma adequada "Política de Estoques (ou de Inventário)", ou seja, um acordo entre as áreas Industrial, Comercial e Financeira da Organização, alinhadas com a estratégia da mesma, definindo os números de estoque de matéria prima, estabelecendo basicamente o nível dos estoques de segurança (geralmente em dias) para itens A, B e C, nacionais e importados.
É no momento em que se discute as políticas de variação de demanda e de inventário que se inicia a gestão de estoques, que é uma questão bastante complexa e que envolve quase que todas as áreas da Organização, portanto é importante ter em mente a figura abaixo que ilustra de forma clara as muitas razões pelas quais se pode ter estoques excedentes dentro de uma Organização. Cabe ao gestor industrial mostrar ao CEO e aos gestores responsáveis todas as razões específicas de geração de estoque, buscando fazer um trabalho de enxugamento adequado e em parceria com todos.
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